Quem sou eu

Minha foto
Sou economista, escritor e divulgador de conteúdos sobre economia, pesquisas científicas em geral e Economia Espacial, a nova fronteira do capital

Projeto do Edifício de Gravidade Artificial-The Glass-Para Habitação na Lua e Marte

Asteroide Bennu contêm os blocos de construção da Vida

Sonda Parker: O Sistema Solar Visto de Perto do Sol

Conceito Elevador Espacial

2º vídeo sobre o Conceito do Elevador Espacial

Hubble da NASA rastreia a história oculta da galáxia de Andrômeda

Botão Twitter Seguir

Translate

segunda-feira, 6 de julho de 2026

"Para além dos limites": a colocação de um milhão de satélites e espelhos no espaço ameaça o céu noturno

Caro(a) Leitor(a);



Uma hora de satélites sobre o norte do deserto do Atacama (Créditos: F. Kamphues, ESO/M. Kornmesser)


Um novo estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO) concluiu que as propostas atuais para colocar em órbita mais de 1,7 milhões de satélites, incluindo alguns extremamente brilhantes, teriam "consequências devastadoras para a astronomia". De acordo com o estudo, não deveriam orbitar a Terra mais de 100 000 satélites de baixa luminosidade, invisíveis a olho nu, de modo a salvaguardar a nossa capacidade de observar o céu noturno com telescópios modernos. Este estudo é o primeiro a calcular em que medida as constelações de satélites de grande dimensão e alta luminosidade — que também têm suscitado preocupações quanto aos seus impactos na saúde e no ambiente — afetariam as observações astronómicas, tornando o céu noturno mais brilhante.

Desde 2019 que o número de satélites em órbita à volta da Terra tem vindo a aumentar drasticamente, atingindo-se hoje mais de 14 000 objetos [1] — sendo a sua maioria constituída pelos satélites de telecomunicações Starlink da SpaceX. As propostas relativas a satélites também têm aumentado, tanto em número como em potencial impacto. "Até agora temos conseguido lidar com a situação, mas as coisas estão a piorar", salienta Olivier Hainaut, envolvido no desenvolvimento de recomendações para mitigar o impacto das constelações de satélites na astronomia. Embora empresas como a SpaceX tenham tomado medidas para tornar os seus satélites menos brilhantes, as atuais propostas para satélites estão a ir "para além dos limites" do que a astronomia consegue suportar, afirma Hainaut, astrónomo no ESO há mais de 30 anos e autor do estudo realizado sobre os impactos das constelações de satélites na astronomia a publicar na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.

A SpaceX planeia colocar mais um milhão de satélites em órbita, para centros de dados espaciais, o que alteraria significativamente o aspeto do céu. O novo estudo revela que, durante grande parte da noite, centenas de satélites estariam visíveis e, em determinados momentos, mesmo vários milhares, um número semelhante ao das estrelas visíveis a olho nu sob boas condições. Outras constelações de satélites planeadas, como a Cinnamon da E-Space e as CTC-1 e CTC-2 da China, acrescentariam ainda várias centenas de milhares de satélites à órbita, agravando o problema.

A Reflect Orbital, uma start-up norte-americana, pretende lançar uma constelação de satélites muito grandes, semelhantes a espelhos, com o intuito de iluminar a noite com luz solar, utilizando feixes refletidos que abrangeriam, pelo menos, 5 km da superfície da Terra. O seu objetivo é começar com um satélite protótipo, a ser colocado em órbita ainda este ano, e depois ir aumentando o número para 50 000 até 2035. Estes seriam, sem dúvida, os satélites mais brilhantes em órbita da Terra, com consequências muito prejudiciais para os céus escuros do nosso planeta. Os cálculos de Hainaut mostram que a constelação completa encheria o céu noturno com centenas de satélites visíveis e muito brilhantes. Visto do interior do feixe refletido, o satélite que forneceria a luz do Sol seria quatro vezes mais brilhante do que a Lua Cheia. Mesmo que nenhum satélite apontasse o seu feixe diretamente para um observador, cada um seria tão brilhante como o planeta Vénus, a nossa "estrela da manhã". Numa cidade com poluição luminosa como Munique, na Alemanha, estas centenas de satélites tornar-se-iam as únicas "estrelas" visíveis no céu noturno.

As propostas aqui descritas, juntamente com outras analisadas no âmbito deste estudo, tornariam o céu noturno significativamente mais claro, prejudicando a nossa capacidade de observar alvos cósmicos pouco luminosos, incluindo galáxias distantes, alguns planetas semelhantes à Terra a orbitar outras estrelas que não o Sol e até mesmo asteróides potencialmente perigosos para a Terra.

Rastros brilhantes e céus ainda mais brilhantes

Hainaut explica que "satélites iluminados pelo Sol são muito mais brilhantes do que galáxias distantes. Quando um satélite passa pela nossa linha de visão, deixa um rasto brilhante na imagem, ocultando tudo o que está por trás dele".

Para calcular o impacto deste e doutros efeitos das constelações de satélites nas observações astronómicas, Hainaut simulou as posições, o movimento e o brilho de todas as constelações de satélites atuais e planeadas.

No que concerne a megaconstelação de satélites da SpaceX, em cada imagem capturada duas horas após o anoitecer com o Very Large Telescope (VLT) do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile, surgiriam dezenas de rastros, o que representaria perdas no campo de visão de até 28% [2]. Esta simulação pressupõe satélites suficientemente pouco iluminados para não serem visíveis a olho nu em boas condições de observação. Se forem, no entanto, um bocadinho mais brilhantes, alguns instrumentos seriam ainda mais afetados: por exemplo, uma câmara como a do Observatório Vera C. Rubin, da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, poderia ver a maioria das suas imagens inutilizada durante várias horas todas as noites [3].

As simulações de Hainaut partem do princípio que nenhum satélite da Reflect Orbital apontaria o seu feixe diretamente para um observatório ou para as suas proximidades. Mesmo assim, o rastro deixado por um único satélite-espelho desta constelação poderia comprometer uma observação com uma câmara como a do Observatório Rubin. Com toda a frota de satélites da Reflect Orbital em órbita, todas as imagens capturadas por câmaras desse tipo seriam irremediavelmente perdidas quando os satélites estivessem iluminados pelo Sol.

No entanto, não seriam apenas as trajetórias entrecruzadas dos satélites que limitariam as observações: a sua luz poderia também poluir todo o céu. Os satélites demasiado fracos para serem vistos diretamente produzem um véu de luz "difusa", enquanto a luz dos satélites mais brilhantes é "dispersada" em todas as direções à medida que atravessa a atmosfera. Ambas as contribuições aumentam o brilho total do céu noturno. Este estudo é o primeiro a considerar os impactos na astronomia decorrentes da contribuição das constelações de satélites para o brilho de fundo do céu, revelando a verdadeira extensão da poluição luminosa causada pelos satélites.

Constelações muito brilhantes, como a Reflect Orbital, teriam um efeito particularmente significativo no brilho de fundo do céu. Com os 50 000 satélites da Reflect Orbital em pleno funcionamento, o céu ficaria mais brilhante cerca de três a quatro vezes do que o atual.

Limitar o número de satélites para proteger o céu noturno

Hainaut conclui que os 1,7 milhões de novos satélites propostos teriam consequências drásticas para a astronomia terrestre. O impacto só poderá ser evitado limitando o total — tanto de satélites existentes como futuros — a 100 000 satélites e com uma luminosidade que não os torne visíveis a olho nu a partir de um local escuro. "Este não é um número rígido, tipo 99 999 é bom e 100 001 é mau, mas obviamente que eu preferia 50 000", afirma Hainaut. "No entanto, 100 000 causariam perdas nas observações astronómicas a um nível semelhante ao de outras perdas técnicas, como por exemplo, avarias de equipamento." Mas os satélites devem ser mais ténues do que a magnitude visual 7 [4], pois no caso de alguns serem demasiado brilhantes — acima do limiar mínimo para visibilidade a olho nu —, o número total de objetos em órbita teria de diminuir significativamente.

A SpaceX e a Reflect Orbital, responsáveis pelas novas propostas mais radicais, apresentaram, cada uma, um pedido de autorização de lançamento à Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC). Este novo estudo serviu de base para uma resposta do ESO à FCC sobre estas propostas, em colaboração com a Sociedade Astronómica Real do Reino Unido e a União Astronómica Internacional.

"A FCC recebeu mais de 1800 comentários relativos à Reflect Orbital e quase 1500 sobre o pedido da SpaceX", diz Betty Kioko, responsável pelos Assuntos Institucionais do ESO, encarregada de coordenar a resposta do ESO a estas propostas. "A bola está agora do lado da FCC, e aguardamos as decisões que serão tomadas sobre ambos os pedidos. Para a astronomia óptica, trata-se de uma ameaça existencial e, por isso, esperamos que as entidades reguladoras partilhem da mesma opinião".

"A astronomia é de enorme valor para a humanidade, tanto a nível científico, técnico e económico como educativo, ajudando-nos a compreender o nosso lugar no Universo", afirma o Diretor Geral do ESO, Xavier Barcons. "O grande número de satélites propostos para serem colocados numa órbita terrestre baixa põe à prova essa capacidade, sublinhando a necessidade de limitar futuros lançamentos de satélites, e destacando também a importância de astrónomos, engenheiros, operadores de satélites e outras partes interessadas trabalharem em conjunto para adotar medidas de mitigação rigorosas".

"O lançamento de milhares de satélites tem implicações económicas, ecológicas e astronómicas", acrescenta Hainaut. A poluição luminosa proveniente de constelações de satélites muito brilhantes poderá afetar a saúde e o funcionamento da vida na Terra, ao perturbar relógios biológicos e ecossistemas. As grandes constelações de satélites têm também impactos diretos na qualidade do ar, devido aos inúmeros lançamentos necessários para enviar e manter milhares de satélites em órbita e à poluição atmosférica causada pela sua combustão durante a reentrada na atmosfera no final do seu ciclo de vida. "A minha área é a astronomia, por isso quantifico apenas os efeitos na astronomia", explica Hainaut, "no entanto, espero que outros especialistas avaliem os restantes impactos nas suas respetivas áreas de conhecimento."

Hainaut conclui: "A órbita baixa terrestre é como se fosse uma costa celeste que transmite um enorme valor à vida moderna, desde conectividade global até ao nosso acesso direto ao Universo. Por isso mesmo, torna-se imperativo gerir o impacto das megaconstelações — desde a poluição luminosa que afeta a astronomia até aos efeitos atmosféricos da reentrada dos satélites — para garantir que este recurso se mantenha intacto e acessível às gerações futuras".

Notas

[1] O número de satélites atualmente em órbita sobe para 32 000 se contarmos com satélites desativados e restos de satélites.

[2] O instrumento considerado para esta simulação foi o FORS2, o principal instrumento do VLT, que é representativo das câmaras tradicionais utilizadas em grandes telescópios.

[3] Em câmaras como a do Observatório Rubin, com componentes eletrónicos complexos e de alta densidade, o rastro de um satélite suficientemente brilhante para saturar o detector provoca não só uma faixa larga numa imagem astronómica, mas também uma série de rastros fantasma que multiplicam as perdas e podem potencialmente contaminar toda a imagem.

[4] Um satélite com magnitude visual inferior a 7 não satura o detector de câmaras como as do Observatório Rubin. Por coincidência, isto significa também que estes satélites seriam demasiado ténues para serem visíveis a olho nu, mesmo num céu escuro e sem poluição luminosa.

Informações adicionais

Este trabalho de investigação foi descrito num artigo científico de Olivier Hainaut (Observatório Europeu do Sul, Alemanha) a publicar na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.

O Observatório Europeu do Sul (ESO) ajuda cientistas de todo o mundo a descobrir os segredos do Universo, o que, consequentemente, beneficia toda a sociedade. No ESO concebemos, construímos e operamos observatórios terrestres de vanguarda — os quais são usados pelos astrónomos para investigar as maiores questões astronómicas da nossa época e partilhar com o público o fascínio pela astronomia — e promovemos colaborações internacionais em astronomia. Fundado em 1962 como organização intergovernamental, o ESO é hoje apoiado por 16 Estados Membros (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, Chéquia, Suécia e Suíça), para além do Chile, o seu país de acolhimento, e da Austrália como Parceiro Estratégico. A Sede do ESO e o seu centro de visitantes e planetário, o Supernova do ESO, situam-se perto de Munique, na Alemanha, enquanto o deserto chileno do Atacama, um lugar extraordinário com condições únicas para a observação dos céus, acolhe os nossos telescópios. O ESO mantém em funcionamento três observatórios: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, assim como telescópios de rastreio, tal como o VISTA. Ainda no Paranal, o ESO acolherá e operará a rede sul do Cherenkov Telescope Array Observatory, o maior e mais sensível observatório de raios gama do mundo. Juntamente com parceiros internacionais, o ESO opera o ALMA no Chajnantor, uma infraestrutura que observa o céu milimétrico e submilimétrico. No Cerro Armazones, próximo do Paranal, estamos a construir “o maior olho do mundo virado para o céu” — o Extremely Large Telescope do ESO. Dos nossos gabinetes em Santiago do Chile, apoiamos as nossas operações no país e trabalhamos com parceiros chilenos e com a sociedade chilena.

Links

Obrigado pela sua visita e volte sempre!

Para saber mais, acesse o link, pois têm mais conteúdos para aprendizagem.

Fonte / Créditos:  Observatório Euroepu do Sul (ESO, na sigla em inglês)   / Publicado 01/07/2026

https://www.eso.org/public/portugal/news/eso2607/

____________________________________

No "New Space Economy" você vai acompanhar os conteúdos relacionados a Nova Economia Espacial, "a Space Economy". Editei este Blog movido por uma convicção simples: as decisões de negócios mais importantes da próxima década serão influenciadas, direta ou indiretamente, pelo que está acontecendo a 400 quilômetros acima de nossas cabeças. O espaço já é a infraestrutura crítica da economia global. A economia espacial moderna sustenta quase todos os pilares da vida moderna na Terra O New Space Economy  é o seu terminal de dados para o que acontece acima da nossa atmosfera, agora traduzido para o idioma dos negócios.  Acesse aqui: https://newspaceeconomy.blogspot.com/

________________________________________

Web Science Academy; Hélio R.M.Cabral (Economista, Escritor eDivulgador de conteúdos de Economia, Astronomia, Astrofísica, Astrobiologia Climatologia). Participou do curso Astrofísica Geral no nível Georges Lemaître (EAD), concluído em 2020, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.

>Autor de cinco livros, que estão sendo vendidos nas livrarias Amazon, Book Mundo e outras

Orion Book: https://www.orionbook.com.br/

Amazon: https://link.amazon/B0boppSBQ

Mercado Livre: https://www.mercadolivre.com.br/social/hc20260704131057

Page: https://econo-economia.blogspot.com

Page: https://pesqciencias.blogspot.com.br

Page: https://livroseducacionais.blogspot.com.br

Page: https://newspaceeconomy.blogspot.com.br

Quantos satélites são demais? | Chasing Starlight

Caro(a) Leitor(a);

Vídeo: https://youtu.be/LJNwAKSL17s?t=4

Existem atualmente mais de 14 000 satélites em órbita, mas novas propostas da SpaceX, da Reflect Orbital e de outras empresas poderão aumentar esse número para mais de 1,7 milhões de satélites. Neste vídeo, dois especialistas do ESO falam-nos sobre as consequências devastadoras que isso teria para a astronomia e quais são as opções técnicas e legais que temos para limitar os danos.

Para mais informações, queira, por favor, consultar o respetivo comunicado de imprensa.

Créditos: ESO

Directed by: L. Calçada, M. Kornmesser, B. Ferreira 
Hosted by: S. Randall 
Written by:  E. Elkington, S. Randall 
Editing: M. Kornmesser, L. Calçada 
Videography: A. Tsaousis 

Animations & footage:  ESO, L. Calçada, M. Kornmesser, Future/Brett Tingley, ESA, S. Guisard, Torsten Hansen/IAU OAES, S. Brunier, F. Kamphues, B. Häuẞler, SpaceX, Reflect Orbital, @EmericTimelapse, RubinObs/NSF/AURA/H. Stockebrand, C. Malin, B. Tafreshi, G. Lombardi, INAF-VST/OmegaCAM, P. Horálek, satellitemap.space, J. McDowell
Music: Envato 

Web and technical support: R. Yumi Shida 
Fact-checking: O. Hainaut, B. Kioko 
Promotion: J. C. Muñoz Mateos, O. Sandu 
Filming Locations:
ESO Supernova (supernova.eso.org

Produced by ESO, the European Southern Observatory (eso.org)

Obrigado pela sua visita e volte sempre!

Para saber mais, acesse o link, pois têm mais conteúdos para aprendizagem.

Fonte / Créditos:  Observatório Euroepu do Sul (ESO, na sigla em inglês)   / Publicado 01/07/2026

https://www.eso.org/public/portugal/videos/eso2607a/

____________________________________

No "New Space Economy" você vai acompanhar os conteúdos relacionados a Nova Economia Espacial, "a Space Economy". Editei este Blog movido por uma convicção simples: as decisões de negócios mais importantes da próxima década serão influenciadas, direta ou indiretamente, pelo que está acontecendo a 400 quilômetros acima de nossas cabeças. O espaço já é a infraestrutura crítica da economia global. A economia espacial moderna sustenta quase todos os pilares da vida moderna na Terra O New Space Economy  é o seu terminal de dados para o que acontece acima da nossa atmosfera, agora traduzido para o idioma dos negócios.  Acesse aqui: https://newspaceeconomy.blogspot.com/

________________________________________

Web Science Academy; Hélio R.M.Cabral (Economista, Escritor eDivulgador de conteúdos de Economia, Astronomia, Astrofísica, Astrobiologia Climatologia). Participou do curso Astrofísica Geral no nível Georges Lemaître (EAD), concluído em 2020, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.

>Autor de cinco livros, que estão sendo vendidos nas livrarias Amazon, Book Mundo e outras

Orion Book: https://www.orionbook.com.br/

Amazon: https://link.amazon/B0boppSBQ

Mercado Livre: https://www.mercadolivre.com.br/social/hc20260704131057

Page: https://econo-economia.blogspot.com

Page: https://pesqciencias.blogspot.com.br

Page: https://livroseducacionais.blogspot.com.br

Page: https://newspaceeconomy.blogspot.com.br

Impactos de meteoroides ejetam água preciosa da Lua.

 

Caro(a) Leitor(a);





Pesquisadores da NASA e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, Maryland, relatam que fluxos de meteoroides que atingem a Lua impregnam a fina atmosfera lunar com vapor de água de curta duração.

As descobertas ajudarão os cientistas a entender a história da água lunar — um recurso potencial para sustentar operações de longo prazo na Lua e a exploração humana do espaço profundo. Modelos previam que impactos de meteoroides poderiam liberar água da Lua na forma de vapor, mas os cientistas ainda não haviam observado o fenômeno. 

Agora, a equipe encontrou dezenas desses eventos em dados coletados pelo  Explorador da Atmosfera e do Ambiente de Poeira Lunar (LADEE) da NASA. O LADEE foi uma missão robótica que orbitou a Lua para coletar informações detalhadas sobre a estrutura e a composição da tênue atmosfera lunar e determinar se a poeira é lançada na atmosfera lunar.

Cientistas descobriram que a Lua libera água durante chuvas de meteoros. Quando um fragmento de cometa atinge a Lua, ele vaporiza com o impacto, criando uma onda de choque no solo lunar. Para um impactor suficientemente grande, essa onda de choque pode romper a camada superior seca do solo e liberar moléculas de água da camada hidratada abaixo. A sonda LADEE detecta essas moléculas de água à medida que entram na tênue atmosfera lunar. Essa descoberta fornece um recurso potencial para futuras explorações e aprimora nossa compreensão do passado geológico da Lua e sua contínua evolução. Créditos: NASA/Goddard/Dan Gallagher

“Rastreamos a maioria desses eventos até fluxos de meteoroides conhecidos, mas a parte realmente surpreendente é que também encontramos evidências de quatro fluxos de meteoroides que eram desconhecidos até então”, disse Mehdi Benna, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, e da Universidade de Maryland, Condado de Baltimore. Benna é o autor principal do estudo, publicado na revista Nature Geosciences .

As novas correntes de meteoroides identificadas, observadas pelo LADEE, ocorreram em 9 de janeiro, 2 de abril, 5 de abril e 9 de abril de 2014.

Conceito artístico da espaçonave LADEE (à esquerda) detectando vapor de água proveniente do impacto de meteoroides na Lua (à direita). Créditos: NASA/Goddard/Conceptual Image Lab

Há evidências de que a Lua possui água (H2O) e hidroxila (OH), um composto mais reativo da água. No entanto, os debates continuam sobre a origem dessa água, se ela está amplamente distribuída e qual a sua possível quantidade.

“A Lua não possui quantidades significativas de H2O ou OH em sua atmosfera na maior parte do tempo”, disse Richard Elphic, cientista do projeto LADEE no Centro de Pesquisa Ames da NASA, no Vale do Silício, Califórnia. “Mas quando a Lua passou por uma dessas correntes de meteoroides, vapor suficiente foi ejetado para que pudéssemos detectá-lo. E então, quando o evento terminou, o H2O ou OH desapareceu.”

Os cientistas lunares frequentemente usam o termo "água" para se referir tanto a H2O quanto a OH. Determinar a quantidade de H2O e de OH presentes é algo que futuras missões à Lua poderão abordar.

A sonda LADEE, construída e gerenciada pelo Centro de Pesquisa Ames da NASA, no Vale do Silício, Califórnia, detectou o vapor usando seu Espectrômetro de Massa Neutra, um instrumento construído pelo Goddard. A missão orbitou a Lua de outubro de 2013 a abril de 2014 e coletou informações detalhadas sobre a estrutura e a composição da atmosfera lunar, ou mais precisamente, da “exosfera” – uma tênue camada de gases ao redor da Lua.

Para liberar água, os meteoroides tiveram que penetrar pelo menos 8 centímetros (3 polegadas) abaixo da superfície. Abaixo dessa camada superficial completamente seca encontra-se uma fina camada de transição, seguida por uma camada hidratada, onde as moléculas de água provavelmente se aderem a fragmentos de solo e rocha, formando o regolito.

A partir das medições de água na exosfera, os pesquisadores calcularam que a camada hidratada tem uma concentração de água de cerca de 200 a 500 partes por milhão, ou cerca de 0,02 a 0,05% em peso. Essa concentração é muito mais baixa do que a do solo terrestre mais seco e está de acordo com estudos anteriores. É tão seca que seria necessário processar mais de uma tonelada métrica de regolito para coletar 473 ml de água.

Como o material na superfície lunar é esponjoso, mesmo um meteoroide com apenas 5 milímetros de diâmetro pode penetrar o suficiente para liberar uma nuvem de vapor. A cada impacto, uma pequena onda de choque se propaga e ejeta água da área circundante.

Quando uma chuva de meteoroides atinge a superfície lunar, a água liberada entra na exosfera e se espalha por ela. Cerca de dois terços desse vapor escapam para o espaço, mas cerca de um terço retorna à superfície da Lua.



Este infográfico mostra o ciclo da água lunar com base nas novas observações do Espectrômetro de Massa Neutra a bordo da sonda LADEE. Na superfície lunar, uma camada seca sobrepõe-se a uma camada hidratada. A água é liberada por ondas de choque provenientes do impacto de meteoroides. Essa água liberada escapa para o espaço ou é depositada novamente em outras partes da Lua. Parte da água é criada por reações químicas entre o vento solar e a superfície ou trazida à Lua pelos próprios meteoroides. No entanto, para compensar a perda de água causada pelos impactos de meteoroides, a camada hidratada precisa ser reabastecida por um reservatório de água antigo mais profundo. Créditos: NASA Goddard/Mehdi Benna/Jay Friedlander

Essas descobertas podem ajudar a explicar os depósitos de gelo em armadilhas frias nas regiões escuras das crateras próximas aos polos. A maior parte da água conhecida na Lua está localizada em armadilhas frias, onde as temperaturas são tão baixas que o vapor de água e outros voláteis que entram em contato com a superfície permanecem estáveis ​​por um longo período, talvez até bilhões de anos. Impactos de meteoroides podem transportar água tanto para dentro quanto para fora das armadilhas frias.

A equipe descartou a possibilidade de que toda a água detectada viesse dos próprios meteoroides.

“Sabemos que parte da água deve estar vindo da Lua, porque a massa de água liberada é maior do que a massa de água contida nos meteoroides que chegam”, disse a segunda autora do artigo, Dana Hurley, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins.

A análise indica que os impactos de meteoroides liberam água mais rapidamente do que ela pode ser produzida pelas reações que ocorrem quando o vento solar atinge a superfície lunar.

“A água que está sendo perdida provavelmente é antiga, datando da formação da Lua ou tendo sido depositada no início de sua história”, disse Benna.

A NASA está liderando um retorno sustentável à Lua com parceiros comerciais e internacionais para expandir a presença humana no espaço e trazer de volta novos conhecimentos e oportunidades

Por Elizabeth Zubritsky

Bill Steigerwald / Nancy Jones
Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA , Greenbelt, Maryland

william.a.steigerwald@nasa.gov  /  nancy.n.jones@nasa.gov

Alison Hawkes
Centro de Pesquisa Ames da NASA , Moffett Field, Califórnia

Alison.hawkes@nasa.gov

Obrigado pela sua visita e volte sempre!

Para saber mais, acesse o link, pois têm mais conteúdos para aprendizagem.

Fonte / Créditos: NASA /  William Steigerwald / Publicado 15/04/2019

https://www.nasa.gov/news-release/meteoroid-strikes-eject-precious-water-from-moon/

____________________________________

No "New Space Economy" você vai acompanhar os conteúdos relacionados a Nova Economia Espacial, "a Space Economy". Editei este Blog movido por uma convicção simples: as decisões de negócios mais importantes da próxima década serão influenciadas, direta ou indiretamente, pelo que está acontecendo a 400 quilômetros acima de nossas cabeças. O espaço já é a infraestrutura crítica da economia global. A economia espacial moderna sustenta quase todos os pilares da vida moderna na Terra O New Space Economy  é o seu terminal de dados para o que acontece acima da nossa atmosfera, agora traduzido para o idioma dos negócios.  Acesse aqui: https://newspaceeconomy.blogspot.com/

________________________________________

Web Science Academy; Hélio R.M.Cabral (Economista, Escritor eDivulgador de conteúdos de Economia, Astronomia, Astrofísica, Astrobiologia Climatologia). Participou do curso Astrofísica Geral no nível Georges Lemaître (EAD), concluído em 2020, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.

>Autor de cinco livros, que estão sendo vendidos nas livrarias Amazon, Book Mundo e outras

Orion Book: https://www.orionbook.com.br/

Amazon: https://link.amazon/B0boppSBQ

Mercado Livre: https://www.mercadolivre.com.br/social/hc20260704131057

Page: https://econo-economia.blogspot.com

Page: https://pesqciencias.blogspot.com.br

Page: https://livroseducacionais.blogspot.com.br

Page: https://newspaceeconomy.blogspot.com.br

domingo, 5 de julho de 2026

XMM-Newton ajuda a revisar a distância até os braços espirais externos.

 

Caro(a) Leitor(a);



Os telescópios espaciais de raios X XMM-Newton da Agência Espacial Europeia e Chandra da NASA detectaram os vestígios de três explosões brilhantes reverberando pelos braços espirais externos da nossa galáxia, a Via Láctea. Ao medir a distância até esses ecos, eles descobriram que os braços externos estão até 10% mais distantes do que se pensava.

Talvez surpreendentemente, sabemos pouco sobre a estrutura das regiões externas da nossa galáxia. É difícil observar nossa galáxia de dentro; o Sistema Solar está bem inserido em seu disco , impedindo uma visão panorâmica, e muitas regiões estão obscurecidas por densas nuvens de poeira cósmica.

Mas isso está mudando: aprendemos muito desde o lançamento do telescópio espacial Gaia , da ESA, dedicado ao estudo das estrelas. Usando os dados coletados pelo Gaia , os cientistas estão mapeando a Via Láctea com mais detalhes do que nunca, medindo distâncias precisas até suas estrelas. Antes do Gaia, nem sequer tínhamos certeza se nossa galáxia tinha dois ou quatro braços espirais ( agora sabemos que são quatro ).

Agora, outra missão da ESA descobriu uma nova maneira de mapear as extremidades da nossa galáxia. "Normalmente, modelamos os braços externos da Via Láctea indiretamente, com base no que sabemos sobre a rotação da nossa galáxia, mas fazer isso dessa forma deixa margem para erros", afirma Beatrice Vaia, do Istituto Nazionale di Astrofisica (INAF), na Itália, que liderou a pesquisa como parte de seu doutorado.

Em vez disso, fizemos algo novo: analisamos as consequências de três explosões cósmicas que ocorreram em galáxias muito mais distantes. Essas explosões emitiram raios X que reverberaram por vários dos braços externos da Via Láctea – e medimos diretamente as distâncias até esses ecos.

A luz de raios X foi emitida por três explosões brilhantes conhecidas como explosões de raios gama (GRBs). Os raios X ricochetearam e foram dispersos por grãos de poeira nos braços espirais da Via Láctea, formando anéis brilhantes que foram então captados pelo XMM-Newton e pelo Chandra.

Ao estudar como esses ecos em forma de anel se expandiram lentamente ao longo do tempo, Beatrice e seus colegas conseguiram determinar a distância dos grãos de poeira dispersores. Como esses grãos estão localizados em nuvens dentro dos braços da nossa galáxia, a equipe pôde medir diretamente a distância dos braços. Além de confirmar a distância conhecida até o braço de Perseu, os cientistas descobriram que dois dos braços da Via Láctea – o Braço Externo de Scutum-Centaurus e o Braço Externo – estão até 10% mais distantes do que se pensava.


XMM-Newton e Chandra revisam a distância até os braços espirais externos (animação)

Um esforço conjunto

Embora o Gaia da ESA tenha revolucionado nossa compreensão da Via Láctea, as medições de distância disponíveis até o momento pelo telescópio são menos precisas para os braços externos. O uso de raios X para sondar as distâncias até as nuvens de poeira, como fizeram o XMM-Newton e o Chandra neste caso, é altamente preciso em distâncias maiores, permitindo que a equipe de pesquisa revise o mapa da região externa da Via Láctea.

“Esta descoberta é um ótimo exemplo de como as missões de longa data da ESA – como a XMM-Newton, lançada em 1999 – ainda têm um papel extremamente importante a desempenhar na exploração do Universo”, afirma Erik Kuulkers, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.

"Agora em sua terceira década, o XMM-Newton continua a fornecer um fluxo constante de ciência inovadora sobre tudo, desde a explosão de raios gama mais brilhante já registrada , até estrelas sendo destruídas por buracos negros , passando por imagens de raios X de Marte . É ainda mais emocionante quando as missões se unem, como aconteceu neste caso. Juntas, elas podem revelar uma enorme quantidade de informações sobre os céus ao nosso redor."

Nosso conhecimento sobre nossa galáxia continuará a crescer nos próximos anos. Juntamente com os dados cada vez mais detalhados dos quarto e quinto lançamentos de dados do Gaia (planejados para dezembro de 2026 e após o final de 2030, respectivamente), o observatório de raios X de próxima geração da ESA, o NewAthena, está prestes a transformar a astronomia de raios X e permitir que os cientistas explorem ecos de raios X muito mais fracos nos confins da nossa galáxia.

Mais informações

Os pesquisadores combinaram observações dos GRBs 221009A (detectado em 2022), 160623A (2016) e 031203 (2003); os ecos brilhantes, dispersos por poeira e em forma de anel de cada evento foram observados pelo XMM-Newton, Chandra ou ambos, entre dezembro de 2003 e novembro de 2022.

O artigo " Distâncias precisas dos braços espirais da Galáxia a partir da emissão de raios X dispersos pela poeira de explosões de raios gama", de B. Vaia et al., foi publicado em 29 de junho na  revista Astronomy  & Astrophysics

Lançamento no site da Chandra

https://chandra.si.edu/press/26_releases/press_070126.html

Obrigado pela sua visita e volte sempre!

Para saber mais, acesse o link, pois têm mais conteúdos para aprendizagem.

Fonte / Créditos: Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) / Publicado 01/06/2026

https://www.esa.int/Science_Exploration/Space_Science/XMM-Newton/XMM-Newton_helps_revise_distance_to_outer_spiral_arms

____________________________________

No "New Space Economy" você vai acompanhar os conteúdos relacionados a Nova Economia Espacial, "a Space Economy". Editei este Blog movido por uma convicção simples: as decisões de negócios mais importantes da próxima década serão influenciadas, direta ou indiretamente, pelo que está acontecendo a 400 quilômetros acima de nossas cabeças. O espaço já é a infraestrutura crítica da economia global. A economia espacial moderna sustenta quase todos os pilares da vida moderna na Terra O New Space Economy  é o seu terminal de dados para o que acontece acima da nossa atmosfera, agora traduzido para o idioma dos negócios.  Acesse aqui: https://newspaceeconomy.blogspot.com/

________________________________________

Web Science Academy; Hélio R.M.Cabral (Economista, Escritor eDivulgador de conteúdos de Economia, Astronomia, Astrofísica, Astrobiologia Climatologia). Participou do curso Astrofísica Geral no nível Georges Lemaître (EAD), concluído em 2020, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.

>Autor de cinco livros, que estão sendo vendidos nas livrarias Amazon, Book Mundo e outras

Orion Book: https://www.orionbook.com.br/

Amazon: https://link.amazon/B0boppSBQ

Mercado Livre: https://www.mercadolivre.com.br/social/hc20260704131057

Page: https://econo-economia.blogspot.com

Page: https://pesqciencias.blogspot.com.br

Page: https://livroseducacionais.blogspot.com.br

Page: https://newspaceeconomy.blogspot.com/

e-mail: heliocabral@econo.ecn.br