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terça-feira, 7 de julho de 2026

Mais velho que o Sol: astrónomos descobrem novas pistas para a origem do cometa interestelar 3I/ATLAS

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Imagem VLT do cometa interestelar 3I/ATLAS (18 de Janeiro de 2026) (Créditos: ESO/O. Hainaut)

Os astrónomos utilizaram o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO) para estudar em pormenor a composição de 3I/ATLAS, o cometa interestelar mais brilhante alguma vez observado. Ao medir assinaturas químicas específicas, as primeiras observações deste tipo para um cometa formado fora do Sistema Solar, a equipa descobriu que o 3I/ATLAS teve, muito provavelmente, origem nas periferias dum sistema estelar antigo. Esta descoberta lança uma nova luz na história de formação deste cometa, indicando que o objeto pode ser muito mais velho que o Sol.

Os cometas interestelares são objetos gelados formados em torno duma estrela diferente do nosso Sol e que, ocasionalmente, entram no nosso Sistema Solar. "São uma espécie de fósseis dum processo de formação planetária que ocorreu muito longe, mas que temos a oportunidade de estudar perto de nós", afirma a astrónoma Cyrielle Opitom, investigadora na Universidade de Edimburgo, Reino Unido. Em conjunto com Jean Manfroid e Damien Hutsemékers, da Universidade de Liège, Bélgica, Cyrielle Opitom liderou um estudo sobre 3I/ATLAS, publicado hoje na revista da especialidade Nature Astronomy.

3I/ATLAS é o terceiro cometa interestelar descoberto, depois de 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov. Foi detectado quando se aproximava do Sol, tendo permanecido tempo suficiente no nosso Sistema Solar para que os astrónomos o pudessem estudar em pormenor. Apesar da dificuldade em medir a composição dos dois cometas interestelares anteriores (no primeiro os astrónomos não detectaram gás e o segundo mostrou-se demasiado ténue para tais observações), o mesmo não aconteceu com 3I/ATLAS. Graças ao seu enorme brilho, os investigadores conseguiram medir os quocientes isotópicos deste cometa, ou seja, as quantidades relativas de diferentes formas do mesmo elemento.

Com o auxílio do instrumento UVES, instalado no VLT do ESO, a equipa mediu os quocientes de isótopos de carbono e azoto nas moléculas de cianeto presentes no gás em torno do cometa. Sabemos que estes quocientes são um bom indicador da origem de um cometa, uma vez que são muito sensíveis às condições físicas do ambiente onde este se formou e, por isso, não se espera que sofram grandes alterações durante a sua viagem pelo espaço.

"Contrariamente aos cometas do nosso Sistema Solar, este visitante interestelar apresenta quocientes isotópicos de carbono e azoto invulgarmente elevados", explica Aravind Krishnakumar, investigador na Universidade de Liège e coautor do novo estudo. Um estudo semelhante, liderado por Martin Cordiner do Goddard Space Flight Center da NASA, EUA, publicado no final do mês passado na revista Nature, revelou uma proporção isotópica de carbono semelhante, bem como níveis elevados de deutério, também conhecido por hidrogénio pesado [1]. Este segundo estudo utilizou dados do Telescópio Espacial James Webb, um projeto conjunto das agências espaciais dos EUA, Europa e Canadá.

Em termos gerais, os resultados da equipa de Opitom indicam que o cometa se formou provavelmente nas periferias de um disco de matéria situado em torno duma estrela antiga de "baixa metalicidade". Uma estrela de baixa metalicidade contém essencialmente hidrogénio e hélio e muito poucos elementos mais pesados do que este último. Pensamos que este tipo de estrelas se tenha formado quando o Universo era ainda muito jovem, e portanto menos rico em elementos químicos do que é agora. Assim, equipa suspeita que 3I/ATLAS tenha tido origem em torno duma estrela muito mais velha do que o Sol. "O 3I/ATLAS dá-nos uma oportunidade excelente para investigar a composição doutro sistema planetário, formado muito antes do nosso Sol e do Sistema Solar sequer existirem", afirma Rosemary Dorsey, coautora do estudo e investigadora na Universidade de Helsínquia, Finlândia. Os estudos realizados pelas diferentes equipas apontam para que 3I/ATLAS tenha mais do dobro da idade do Sol.

À medida que 3I/ATLAS se afasta do Sol, tornando-se progressivamente mais ténue, as observações levadas a cabo com o VLT vão chegando ao fim. O futuro Extremely Large Telescope (ELT) do ESO permitirá realizar medições semelhantes em objetos interestelares, incluindo os menos brilhantes que 3I/ATLAS. "A área de investigação dos objetos interestelares é ainda muito recente e, por isso, não sabemos realmente o que esperar. Cada vez que um novo objeto é descoberto, aparecem sempre novas surpresas", conclui Opitom.

Notas

[1] Uma equipa de investigadores liderada por Salazar-Manzano e Paneque-Carreño utilizou o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), do qual o ESO é um parceiro, para medir água pesada (composta por átomos de deutério em vez de hidrogénio) no 3I/ATLAS, e também encontrou elevados níveis deste tipo de água comparativamente àqueles encontrados nos cometas do Sistema Solar.

Informações adicionais

Este trabalho de investigação foi descrito num artigo publicado na revista da especialidade Nature Astronomy (doi:10.1038/s41550-026-02921-7).

A equipa é composta por: C. Opitom (Institute for Astronomy, University of Edinburgh, Royal Observatory, Reino Unido [Edinburgh]), J. Manfroid (Instituto STAR, Universidade de Liège, Bélgica [STAR]), D. Hutsemékers (STAR), E. Jehin (STAR), M. M. Knight (Volgenau Department of Physics, United States Naval Academy, Annapolis, MD, EUA), K. Aravind (STAR), L. Ferellec (Faculty of Science and Engineering, Northumbria University, Newcastle, Reino Unido), D. Bodewits (Physics Department, Edmund C. Leach Science Center, Auburn University, AL, EUA), V. V. Guzmán (Instituto de Astrofísica, Pontificia Universidad Católica de Chile, Santiago, Chile), M. Cordiner (Department of Physics, Catholic University of America, Washington, DC, EUA e Astrochemistry Laboratory, NASA Goddard Space Flight Center, Greenbelt, MD, EUA), R. C. Dorsey (Departamento de Física, Universidade de Helsínquia, Finlândia), F. La Forgia (Departamento de Física e Astronomia, Universidade de Pádua, Itália), M. Lippi (INAF - Osservatorio Astrofisico di Arcetri, Firenze, Itália), B. P. Murphy (Edinburgh), C. Snodgrass (Edinburgh).

O Observatório Europeu do Sul (ESO) ajuda cientistas de todo o mundo a descobrir os segredos do Universo, o que, consequentemente, beneficia toda a sociedade. No ESO concebemos, construímos e operamos observatórios terrestres de vanguarda — os quais são usados pelos astrónomos para investigar as maiores questões astronómicas da nossa época e partilhar com o público o fascínio pela astronomia — e promovemos colaborações internacionais em astronomia. Fundado em 1962 como organização intergovernamental, o ESO é hoje apoiado por 16 Estados Membros (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, Chéquia, Suécia e Suíça), para além do Chile, o seu país de acolhimento, e da Austrália como Parceiro Estratégico. A Sede do ESO e o seu centro de visitantes e planetário, o Supernova do ESO, situam-se perto de Munique, na Alemanha, enquanto o deserto chileno do Atacama, um lugar extraordinário com condições únicas para a observação dos céus, acolhe os nossos telescópios. O ESO mantém em funcionamento três observatórios: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, assim como telescópios de rastreio, tal como o VISTA. Ainda no Paranal, o ESO acolherá e operará a rede sul do Cherenkov Telescope Array Observatory, o maior e mais sensível observatório de raios gama do mundo. Juntamente com parceiros internacionais, o ESO opera o ALMA no Chajnantor, uma infraestrutura que observa o céu milimétrico e submilimétrico. No Cerro Armazones, próximo do Paranal, estamos a construir “o maior olho do mundo virado para o céu” — o Extremely Large Telescope do ESO. Dos nossos gabinetes em Santiago do Chile, apoiamos as nossas operações no país e trabalhamos com parceiros chilenos e com a sociedade chilena.

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Fonte / Créditos: Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) / Publicado 06/06/2026

https://www.eso.org/public/portugal/news/eso2608/

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No "New Space Economy" você vai acompanhar os conteúdos relacionados a Nova Economia Espacial, "a Space Economy". Editei este Blog movido por uma convicção simples: as decisões de negócios mais importantes da próxima década serão influenciadas, direta ou indiretamente, pelo que está acontecendo a 400 quilômetros acima de nossas cabeças. O espaço já é a infraestrutura crítica da economia global. A economia espacial moderna sustenta quase todos os pilares da vida moderna na Terra O New Space Economy  é o seu terminal de dados para o que acontece acima da nossa atmosfera, agora traduzido para o idioma dos negócios.  Acesse aqui: https://newspaceeconomy.blogspot.com/

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Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.

>Autor de cinco livros, que estão sendo vendidos nas livrarias Amazon, Book Mundo e outras

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