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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Vida a dois

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Nós, seres humanos, somos fortemente influenciados pela presença de companheiros ao longo das nossas vidas, moldando-nos mutuamente a nível emocional, cultural ou intelectual. Este efeito de moldagem é literal no caso dos companheiros estelares, o tema da Fotografia da Semana de hoje. O par de pontos no centro da imagem, capturada pelo Very Large Telescope (VLT) do ESO, trata-se dum casal estelar antigo — um sistema binário oficialmente chamado AFGL 4106. Como a maioria das estrelas nasce em pares, uma das questão que os astrónomos se põem é como é que a morte duma estrela é afectada pelo facto de fazer parte num binário?

Antes de morrer, as estrelas expelem enormes quantidades de gás e poeira, ingredientes duma nebulosa em crescimento. As estrelas massivas que aqui vemos estão ambas na fase final das suas vidas, embora apenas uma delas tenha já expelido massa suficiente para dar origem a um envelope de poeira em seu redor. Num novo artigo científico liderado por Gabriel Tomassini, estudante de doutoramento da Université Côte d’Azur (França), os investigadores mapearam estes detritos (a laranja) e caracterizaram com precisão as estrelas centrais (a preto).

A obtenção de imagens de objetos astronómicos próximos de estrelas constitui um enorme desafio devido ao efeito avassalador do brilho das estrelas e, na verdade, estas estrelas aparecem aqui a preto, uma vez que o seu brilho saturou o detector do instrumento utilizado para obter a imagem. Felizmente, o instrumento SPHERE do VLT está bem equipado para lidar com grandes contrastes de luz, o que permitiu estudar detalhadamente, e pela primeira vez, tanto as estrelas de elevada luminosidade como a nebulosa ténue que as rodeia. Adicionalmente, o SPHERE consegue corrigir o desfocagem causado pela turbulência atmosférica, obtendo assim imagens muito nítidas.

A forma da nebulosa revela o impacto significativo que a estrela companheira está a ter na ejeção de gás da outra estrela, introduzindo assimetrias e moldando as nuvens de gás e poeira numa forma diferente da perfeitamente esférica, como seria de esperar. Mais observações de sistemas estelares como este permitirão aos cientistas compreender melhor como é que a presença de companheiras afeta a morte das estrelas.

Link



Autor / Créditos:  ESO/G. Tomassini et al.

Fonte:  Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) / Publicação 23/02/2026

https://www.eso.org/public/portugal/images/potw2608a/

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Web Science AcademyHélio R.M.Cabral (Economista, Escritor e Divulgador de conteúdos de Economia, Astronomia, Astrofísica, Astrobiologia Climatologia). Participou do curso Astrofísica Geral no nível Georges Lemaître (EAD), concluído em 2020, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.

>Autor de cinco livros, que estão sendo vendidos nas livrarias AmazonBook Mundo e outras

Livraria> https://www.orionbook.com.br/

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