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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Revelando estrelas e galáxias escondidas: o novo instrumento MOONS do Very Large Telescope faz as suas primeiras observações

Caro(a) Leitor(a), 




O mais recente instrumento científico do ESO, o MOONS (Multi-Object Optical and Near-infrared Spectrograph), levou a cabo as suas primeiras observações bem sucedidas, alcançando o que os astrónomos designam por Primeira Luz. Instalado no Very Large Telescope (VLT) do ESO, no Cerro Paranal, no norte do Chile, o MOONS, que poderá estudar mil objetos simultaneamente, opera na luz vermelha e infravermelha, o que vai permitir aos astrónomos observar o coração da nossa Galáxia, bem como estudar a formação de galáxias distantes.

"É verdadeiramente emocionante assistir à Primeira Luz do MOONS, uma conquista notável fruto da dedicação e do talento extraordinários duma equipa excecional", afirmou Michele Cirasuolo, Investigador Principal do MOONS e Gestor do Programa de Instrumentação do ESO. "O MOONS abre uma nova janela para o Universo, permitindo-nos explorar as propriedades físicas, químicas, dinâmicas e ambientais de milhões de estrelas e galáxias ao longo de mais de 13 mil milhões de anos de história cósmica. Este instrumento levar-nos-á a novas fronteiras do conhecimento, ajudando-nos a compreender melhor como é que a Via Láctea e as outras galáxias se formaram e evoluíram ao longo do tempo. Estou muito orgulhoso da equipa e extremamente entusiasmado para ver que novas descobertas sobre o Universo nos esperam."

Um instrumento extraordinário

O MOONS, construído por um consórcio internacional liderado pelo Centro de Tecnologia Astronómica do Reino Unido (UK ATC, sigla para Astronomy Technology Centre), que faz parte do Conselho de Instalações Científicas e Tecnológicas (STFC, sigla para Science and Technology Facilities Council), foi concebido para tirar partido da capacidade de captura de luz de um dos espelhos de 8 metros do VLT para observar uma grande variedade de estrelas e galáxias individuais. Com cerca de mil fibras ópticas, cada uma montada num posicionador robótico, o instrumento consegue apontar para as posições exatas de cerca de mil alvos astronómicos em simultâneo, espalhados num enorme campo de visão. A radiação colectada pelas fibras é depois encaminhada para dois espectrógrafos idênticos (com 500 fibras cada um), que funcionam do mesmo modo que um prisma que cria um arco-íris, separando a luz em diferentes cores. Ao analisar as diferentes cores, ou comprimentos de onda, os astrónomos conseguem determinar muitas das propriedades dos objetos cósmicos, tais como composição química, massa e velocidade.

Oscar Gonzalez, Investigador Principal do MOONS no Reino Unido e Diretor de Ciência e Estratégia do Projeto no UK ATC, diz: "O MOONS é o resultado dum esforço internacional extraordinário. Durante anos, os nossos cientistas, engenheiros e técnicos trabalharam em conjunto para superar desafios tecnológicos notáveis e criar um instrumento com capacidades excecionais. Para mim, a Primeira Luz é uma celebração da sua competência, dedicação e perseverança, marcando o momento exato em que anos de trabalho se transformam em descoberta. O MOONS proporcionará aos astrónomos uma forma totalmente nova de explorar o Universo, permitindo realizar observações que, até agora, estavam simplesmente fora do nosso alcance."

O MOONS irá destacar-se particularmente no estudo da formação e evolução de galáxias, incluindo a nossa, ao longo da história do Universo. O centro da nossa Galáxia, a Via Láctea, encontra-se escondido por poeira cósmica, a qual bloqueia a radiação visível. Ao observar no infravermelho, o MOONS permitirá aos astrónomos ver para além destas nuvens de poeira. O infravermelho permitirá também ao MOONS monitorizar galáxias distantes. O nosso Universo está em expansão, o que significa que as galáxias mais distantes se afastam de nós a uma velocidade maior, o que faz com que a luz que recebemos delas esteja deslocada para comprimentos de onda mais longos, predominantemente no infravermelho. O MOONS é o primeiro instrumento que nos permitirá analisar em pormenor uma enorme quantidade de objetos em simultâneo nesta gama de comprimentos de onda do espectro electromagnético.

Para minimizar a contaminação proveniente de fontes de luz infravermelha em torno do instrumento, os espectrógrafos do MOONS estão alojados num crióstato que os mantém a temperaturas muito baixas (entre –143 e –233 graus Celsius). Como o instrumento tem 4,5 metros de altura e pesa mais de 10 toneladas, são necessários 5 000 litros de azoto líquido para o arrefecer, o que torna o crióstato do MOONS um dos maiores alguma vez construídos para um telescópio terrestre.

Observações iniciais e futuras

As primeiras observações do MOONS demonstraram a sua capacidade de ver para além da poeira, ao observar estrelas localizadas no plano galáctico obscurecido. "As primeiras observações destacam o poder do MOONS em termos de número de objetos, sensibilidade do instrumento, qualidade dos dados e múltiplos comprimentos de onda utilizados. Este instrumento permitir-nos-á estudar padrões em populações estelares que, de outra forma, permaneceriam ocultas e, ao mesmo tempo, identificar as “exceções” entre milhares de estrelas, o que suscitará decerto novas questões a investigar", afirma Amelia Bayo, Cientista do Projeto MOONS no ESO.

David Concar, o embaixador britânico no Chile, e Michele Dougherty, a Astrónoma Real e Presidente Executiva do STFC, estiveram no Paranal para assistir às primeiras observações, juntamente com Andreas Kaufer, o então Diretor de Operações do ESO que, entretanto, iniciou as suas funções como Diretor Geral do ESO no passado dia 1 de Setembro, e outros representantes do ESO e do UK ATC. Dougherty afirmou: "Foi extremamente emocionante ver o MOONS alcançar a Primeira Luz. Um momento marcante, não só para a equipa internacional por detrás deste notável instrumento, mas também para a astronomia no geral, que demonstra bem a ciência transformadora que instrumentação inovadora pode proporcionar."

Durante os dez anos previstos para a sua operação, espera-se que o MOONS observe até dez milhões de objetos e cubra vários projetos científicos em simultâneo. A sua tecnologia avançada contribuirá para dois objetivos científicos fundamentais: proporcionar um acompanhamento espectroscópico crucial na observação de galáxias, incluindo as muito distantes, e fornecer medições precisas de velocidades, composições químicas e abundâncias de milhões de estrelas da Via Láctea. Na nossa Galáxia, o MOONS será capaz de investigar estrelas a uma distância que vai até 40 000 anos-luz, incluindo as que se encontram em áreas envolvidas por poeira, permitindo assim a construção de um mapa tridimensional preciso da Via Láctea. O MOONS irá também desvendar os mistérios da evolução inicial das galáxias. Como tal, poderá colmatar uma lacuna crítica no conjunto de ferramentas astronómicas, particularmente no infravermelho próximo.

Mais informações

O instrumento MOONS foi concebido e construído por um consórcio de universidades e institutos de investigação, na Europa e no Chile, nomeadamente:

  • Science and Technology Facilities Council's UK Astronomy Technology Centre (UK ATC), Reino Unido (líder do consórcio)
  • Centro de Astro-ingenieria UC (AIUC), Pontificia Universidad Catolica de Chile, Chile
  • ETH Zürich, Suíça
  • Galaxies, Etoiles, Physique et Instrumentation (GEPI), Observatoire de Paris-PSL CNRS, França
  • INAF, Itália
  • Institute of Astronomy (IoA), University of Cambridge, Reino Unido
  • Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), Portugal (José Afonso é o Investigador Principal do MOONS em Portugal)
  • Université de Genève, Suíça

O ESO é um membro associado do consórcio e forneceu os sensíveis sistemas de detectores científicos usados pelo MOONS.

Links

Contactos

José Afonso
Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço
Lisboa, Portugal

Bárbara Ferreira
ESO Media Manager
Garching bei München, Alemanha


Obrigado pela sua visita e volte sempre!

Para saber mais, acesse o link para continuar a leitura, pois têm mais conteúdos para aprendizagem.

Fonte / Créditos:  Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) / Publicado 03/09/2026

https://www.eso.org/public/portugal/announcements/ann26007/

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No "New Space Economy" você vai acompanhar os conteúdos relacionados a Nova Economia Espacial, "a Space Economy". Editei este Blog movido por uma convicção simples: as decisões de negócios mais importantes da próxima década serão influenciadas, direta ou indiretamente, pelo que está acontecendo a 400 quilômetros acima de nossas cabeças. O espaço já é a infraestrutura crítica da economia global. A economia espacial moderna sustenta quase todos os pilares da vida moderna na Terra O New Space Economy  é o seu terminal de dados para o que acontece acima da nossa atmosfera, agora traduzido para o idioma dos negócios.  Acesse aqui: https://newspaceeconomy.blogspot.com/

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Web Science Academy; Hélio R.M.Cabral (Economista, Escritor eDivulgador de conteúdos de Economia, Astronomia, Astrofísica, Astrobiologia Climatologia). Participou do curso Astrofísica Geral no nível Georges Lemaître (EAD), concluído em 2020, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.

>Autor de cinco livros, que estão sendo vendidos nas livrarias Amazon, Book Mundo e outras

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