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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Começou a ser construído o primeiro e maior observatório de raios gama do Chile

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Realizou-se ontem no Observatório Europeu do Sul (ESO), no Paranal, Chile, uma cerimónia que assinalou o início das obras da rede sul do CTAO, marcando-se assim o início da construção das fundações desta infraestrutura. O CTAO (Cherenkov Telescope Array Observatory) será o maior e mais potente observatório de raios gama do mundo e irá fornecer-nos novas pistas sobre o Universo das altas energias. A rede sul será o primeiro observatório de raios gama a ser construído no Chile.

"Estamos  muito contentes por acolher esta infraestrutura inovadora no seio da família do ESO. É um prazer ver o início da construção da rede sul deste poderoso observatório aqui no Paranal, no deserto chileno do Atacama, — um lugar que apresenta os céus mais prístinos da Terra. Esta cerimónia de inauguração assinala um marco importante tanto para o CTAO e o ESO, como também para o Chile, uma vez que esta nova infraestrutura irá reforçar a posição do país como polo global da astronomia", afirmou o Diretor Geral do ESO, Xavier Barcons, no seu discurso de boas-vindas durante o evento.

CTAO é um projeto internacional, no qual o ESO, para além de acolher a sua rede sul, é também um dos parceiros fundadores; vários Estados Membros do ESO estão igualmente envolvidos no projeto e diversas equipas científicas de todo o mundo, incluindo do Chile, preparam-se para observar com esta infraestrtura nos próximos anos. O início da construção das fundações agora, trabalho liderado por um consórcio de empresas chilenas, aponta para que os primeiros telescópios sejam instalados no Paranal até ao final de 2026.

Para a celebração, representantes do CTAO, do ESO, do governo chileno e de autoridades locais reuniram-se no Observatório do Paranal do ESO. Além do Diretor Geral do ESO, participaram ainda na cerimónia Andreas Kaufer, Diretor de Operações do ESO; Thomas Klein, Diretor do Observatório de La Silla Paranal do ESO; Volker Heinz, Gerente do Programa de Construção do CTAO; Stuart McMuldroch, Diretor Geral do CTAO; Francisco Colomer, Presidente do Conselho do CTAO ERIC; Ricardo Díaz, Governador da região de Antofagasta; Valeska Molina, Secretária Regional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da região de Antofagasta; e Alejandra Pizarro, Diretora da Agência Nacional de Investigação e Desenvolvimento (ANID) chilena. Após os vários discursos, foi enterrada uma cápsula do tempo ao lado da futura área da rede, com elementos do Chile e dos parceiros do CTAO, bem como itens científicos, representando votos de sucesso e objetivos para os telescópios agora em construção.

"Graças ao empenho dos nossos parceiros de todo o mundo e ao apoio do ESO como nosso anfitrião aqui no Chile, estamos agora a transformar uma visão em realidade com o início da construção do que será o observatório de raios gama mais avançado do planeta", afirmou McMuldroch.

"Estamos orgulhosos por acolher a rede sul do CTAO e de o operar aqui no Observatório do Paranal do ESO, juntamente com os nossos Very Large Telescope e o Extremely Large Telescope", disse Klein. "Esta infraestrutura revolucionária irá transformar a nossa compreensão do Universo, abrindo uma nova janela para os fenómenos mais energéticos do cosmos".

CTAO foi concebido para detectar raios gama de energia muito elevada emitidos pelos eventos mais violentos e poderosos do Universo. Será composto por mais de 60 telescópios situados em dois locais: CTAO-Sul e CTAO-Norte [1] — um em cada hemisfério — com uma área total de recolha superior a 1 milhão de metros quadrados. A rede sul terá mais de 50 telescópios, concebidos para captar uma vasta gama de energias — de 20 GeV a 300 TeV, milhares de milhões de vezes mais energética do que a luz visível [2].

O CTAO detectará radiação de alta energia com uma precisão sem precedentes, superando em muito os atuais telescópios de raios gama. Quando um fotão gama energético atinge a atmosfera da Terra, produz uma cascata de partículas que dão origem à emissão de um tipo de radiação conhecida por radiação de Cherenkov — um característico clarão de luz visível azul ténue. Esse clarão dura apenas alguns milésimos de milionésimos de segundo, por isso tem de ser capturado por câmaras extremamente rápidas e sensíveis, instaladas em telescópios com enorme poder para capturar a luz e a operar sob céus muito escuros e límpidos.

Ao identificar as fontes desses raios gama, o CTAO fornecerá pistas mais concretas do que nunca sobre os eventos e objetos mais extremos do nosso Universo, com foco em áreas chave como: compreender a origem e o papel das partículas cósmicas relativísticas; investigar ambientes extremos, como buracos negros e estrelas de neutrões; e explorar as fronteiras da física, procurando matéria escura e testando os limites da teoria da relatividade de Einstein.

Em 2018, o CTAO, o ESO e as autoridades chilenas assinaram acordos para que a rede sul do CTAO fosse instalada no Observatório do Paranal do ESO, a menos de dez quilómetros a sudeste do local onde se encontra instalado o Very Large Telescope do ESO. Esta região situada no deserto chileno do Atacama apresenta o céu mais límpido e escuro de qualquer observatório astronómico à face da Terra, graças à geografia do Chile e ao compromisso deste país com a preservação do seu céu noturno.

Ao construir uma infraestrutura tão poderosa e importante nesta área, o ESO e o CTAO têm profunda confiança nas autoridades chilenas para protegerem este local extraordinário para as gerações futuras e garantirem o enorme valor que instalações astronómicas como o CTAO geram, tanto local como globalmente”, afirma Barcons.

O Paranal é um local único no mundo para estudar o Universo”, diz Heinz. “O deserto do Atacama acolhe agora outra instalação líder mundial e, no prazo de apenas um ano, esperamos ter os telescópios do CTAO já em operação, fornecendo-nos as primeiras observações do céu de raios gama a partir do Chile.

Notas

[1] A rede do hemisfério norte situa-se no Observatorio del Roque de los Muchachos do Instituto de Astrofísica de Canarias, na ilha de La Palma, Espanha. 

[2] GeV e TeV significam giga electrões-volt e tera electrões-volt, respetivamente. Para comparação, a luz visível tem uma energia de apenas dois ou três electrões-volt.

Informações adicionais

CTAO ERIC (também conhecido como Organização Central do CTAO) é responsável pela construção e operação do CTAO. Assim, é composto por grupos e pessoas dedicadas à gestão e administração do desenvolvimento do Observatório e das atividades gerais do projeto, ciência, computação e engenharia de sistemas. A estrutura organizacional de alto nível está dividida em cinco grupos principais: Gabinete do Diretor, Construção no Local, Gabinete do Projeto, Gabinete Científico do Projeto e Gabinete Administrativo. A Organização Central é responsável pela gestão dos quatro locais do CTAO: a Sede, sediada no Istituto Nazionale di Astrofisica (INAF) em Bolonha (Itália), o Centro de Gestão de Dados Científicos, sediado no Deutsches Elektronen-Synchrotron DESY em Zeuthen (Alemanha), e as duas redes de telescópios, o CTAO-Norte no Observatório Roque de los Muchachos do Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC) em La Palma (Espanha) e o CTAO-Sul, no Observatório do Paranal do ESO no Deserto do Atacama (Chile).

Este grupo trabalha em estreita cooperação com parceiros de todo o mundo para o desenvolvimento do Observatório. Os principais parceiros incluem Colaborações de Contribuições em Espécie que estão a desenvolver hardware e software essenciais, para além do Consórcio CTAO, um grupo internacional de investigadores que trabalha na parte científica do Observatório.

Os membros do CTAO ERIC são: Áustria, Croácia, República Checa, Observatório Europeu do Sul (ESO), França, Alemanha, Itália, Polónia, Eslovénia, Espanha e Suíça. Outros países, nomeadamente Austrália, Brasil, Japão, África do Sul e Estados Unidos, estão envolvidos no processo de adesão ao CTAO ERIC como Parceiros Estratégicos ou Terceiros.

O Observatório Europeu do Sul (ESO) ajuda cientistas de todo o mundo a descobrir os segredos do Universo, o que, consequentemente, beneficia toda a sociedade. No ESO concebemos, construímos e operamos observatórios terrestres de vanguarda — os quais são usados pelos astrónomos para investigar as maiores questões astronómicas da nossa época e partilhar com o público o fascínio pela astronomia — e promovemos colaborações internacionais em astronomia. Fundado em 1962 como organização intergovernamental, o ESO é hoje apoiado por 16 Estados Membros (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, Chéquia, Suécia e Suíça), para além do Chile, o seu país de acolhimento, e da Austrália como Parceiro Estratégico. A Sede do ESO e o seu centro de visitantes e planetário, o Supernova do ESO, situam-se perto de Munique, na Alemanha, enquanto o deserto chileno do Atacama, um lugar extraordinário com condições únicas para a observação dos céus, acolhe os nossos telescópios. O ESO mantém em funcionamento três observatórios: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, assim como telescópios de rastreio, tal como o VISTA. Ainda no Paranal, o ESO acolherá e operará a rede sul do Cherenkov Telescope Array Observatory, o maior e mais sensível observatório de raios gama do mundo. Juntamente com parceiros internacionais, o ESO opera o ALMA no Chajnantor, uma infraestrutura que observa o céu milimétrico e submilimétrico. No Cerro Armazones, próximo do Paranal, estamos a construir “o maior olho do mundo virado para o céu” — o Extremely Large Telescope do ESO. Dos nossos gabinetes em Santiago do Chile, apoiamos as nossas operações no país e trabalhamos com parceiros chilenos e com a sociedade chilena.

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Fonte: Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) / Publicação 18/12/2025

https://www.eso.org/public/portugal/news/eso2521/

Web Science AcademyHélio R.M.Cabral (Economista, Escritor e Divulgador de conteúdos de Economia, Astronomia, Astrofísica, Astrobiologia Climatologia). Participou do curso Astrofísica Geral no nível Georges Lemaître (EAD), concluído em 2020, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).


Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.

>Autor de cinco livros, que estão sendo vendidos nas livrarias Amazon, Book Mundo e outras

Livraria> https://www.orionbook.com.br/

Page: http://econo-economia.blogspot.com

Page: http://pesqciencias.blogspot.com.br

Page: http://livroseducacionais.blogspot.com.br

e-mail: heliocabral@econo.ecn.br

e-mail: heliocabral@coseno.com.br

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