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Pesquisas
médicas na Lua
Turismo lunar
A mineração lunar é outra coisa que, assim como o turismo espacial, acontecerá em um futuro próximo. Agora, é preciso levantar questões éticas sobre essa coleta de recursos naturais lunares, pois há preocupações relacionadas à sustentabilidade ambiental e também se é apropriado que empresas de mineração lucrem com a comercialização de recursos naturais provenientes do espaço.
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Estamos testemunhando
uma nova Corrida Espacial envolvendo a Lua. Enquanto os Estados Unidos
estão empenhados no programa Artemis — que não somente
levará novos astronautas para lá em 2024, como também visa à criação de uma
estação espacial na órbita lunar para garantir a presença constante de humanos
em nosso satélite natural —, a Agência Espacial Europeia-ESA, bem como a Roscosmos da Rússia e a CNSA da China, também têm planos
similares, prevendo o lançamento de missões não tripuladas, para depois enviar
astronautas e então construir bases fixas na Lua.
E para a construção dessas estações e bases fixas, a exploração do
terreno lunar se tornará uma realidade. Afinal, é possível extrair recursos naturais da Lua para fornecer
materiais de construção, combustível e até mesmo água, eliminando, assim, a
necessidade de se enviar esses materiais da Terra para lá. No entanto, é
preciso que os envolvidos nessa Corrida Espacial estabeleçam
diretrizes para evitar comportamentos antiéticos e predatórios no que diz
respeito à exploração lunar.
"Como os humanos interagem com o espaço e os objetos
celestes, é fundamental, para o emergente campo da ética espacial", afirma
Evie Kendal, docente de bioética na Universidade Deakin, que está envolvida com
o assunto da ética espacial desde 2015, quando ensinou sobre o tema na
Universidade de Yale. E ela separou cinco pontos de reflexão sobre
considerações éticas para a exploração lunar:
Questões ligadas ao
assentamento de humanos na Lua
Há
quem acredite que estabelecer assentamentos humanos na Lua pode ser uma das
soluções para diminuir o impacto ambiental da superpopulação na Terra. Contudo,
Kendal observa que considerações éticas com relação a assentamentos humanos são
frequentemente negligenciadas.
Para ela, tais questões
"incluem se os humanos baseados na Lua teriam os mesmos direitos legais e
humanos que seus homólogos na Terra". Um exemplo: crianças nascidas na Lua
compartilhariam a cidadania de seus pais, ou seriam apátridas na Terra? Kendal
entende que é preciso "considerar as complexidades de estabelecer uma
governança independente de uma base lunar para promover o desenvolvimento de
uma sociedade justa para aqueles que vivem lá".
Pesquisas
médicas na Lua
Já têm sido feitos experimentos na Estação
Espacial Internacional-ISS relacionados à tecnologia de impressão 3D de órgãos em
microgravidade. E como a gravidade lunar é um sexto da existente na Terra, pode
ser que a Lua se torne um novo laboratório de pesquisas médicas, de repente
usando o ambiente lunar para resolver a questão da demora nas filas de
transplantes de órgãos aqui na Terra.
Só que, por aqui, há regulamentos rigorosos para pesquisas
médicas na maioria dos países, e experimentos feitos na ISS contam com vigilância dos órgãos parceiros. Contudo, ainda não
existe um sistema global para revisar se estudos médicos propostos na Lua
seriam eticamente aceitáveis.
"Dado que a história da pesquisa médica envolve muitas
violações de pessoas na Terra, há motivos significativos para preocupação
quando se considera que tipo de pesquisa pode ser realizada fora do planeta,
onde o monitoramento será mais difícil", afirma Kendal.
Turismo lunar
Com a iniciativa privada protagonizando uma Corrida Espacial
paralela, com muitas dessas empresas também mirando na Lua, é certo que,
em um futuro não muito distante, o turismo espacial na Lua será uma realidade.
A SpaceX é uma dessas empresas,
que inclusive já contou ao mundo sobre seu projeto Dear Moon, que levará um
bilionário japonês para dar uma voltinha ao redor do nosso satélite natural na
próxima década. E, certamente, o passo seguinte será levar turistas também à
superfície.
Neste sentido, estão envolvidas questões relacionadas a coisas
como sustentabilidade, preservação do ambiente lunar e também saúde e
segurança.
As agências espaciais ligadas a governos seguem diretrizes
rigorosas e fazem testes exaustivos nos candidatos a astronautas, que devem
preencher todos os requisitos físicos e até mesmo psicológicos para serem
aprovados. Já a seleção de turistas espaciais não passará por essas mesmas
regras, e ainda não está claro quais restrições poderão ser aplicadas a pessoas
comuns que quiserem visitar a Lua.
Defesa
planetária
É possível que a Lua também acabe se tornando uma base de defesa
planetária, contando com sistemas a laser capazes de destruir asteroides e
cometas que estiverem em uma trajetória de impacto com a Terra. No entanto,
"há questões éticas que precisam ser respondidas em relação a tais
sistemas de defesa planetária; precisamos estabelecer quem decidirá o melhor
curso de ação em uma emergência de impacto", entende Kendal.
Ela exemplifica: se um asteroide pudesse ser apenas parcialmente
desviado, quem decidirá quais áreas do planeta estarão protegidas de qualquer
impacto e quais acabarão sendo fatalmente afetadas? E como poderemos regular
quem controlará a tecnologia de defesa planetária para garantir que não seja
usada como arma de guerra?
A mineração da
Lua
A mineração lunar é outra coisa que, assim como o turismo espacial, acontecerá em um futuro próximo. Agora, é preciso levantar questões éticas sobre essa coleta de recursos naturais lunares, pois há preocupações relacionadas à sustentabilidade ambiental e também se é apropriado que empresas de mineração lucrem com a comercialização de recursos naturais provenientes do espaço.
Também há a preocupação
relacionada a regulamentos de segurança dos trabalhadores da mineração lunar,
para evitar problemas como exploração relacionada a condições de trabalho que,
aqui na Terra, seriam consideradas prejudiciais.
E o que poderá ser minerado no solo lunar? Entre outras coisas,
os itens abaixo são os mais prováveis de serem minerados por lá:
· Silício: o
material compõe 20% da "sujeira" da Lua, e ele poderá ser minerado e
refinado em semicondutores para criar painéis solares capazes de abastecer os
postos lunares.
· Titânio:
abundante em algumas regiões da superfície lunar, o titânio forma até 8% da
"sujeira" lunar, e se destaca principalmente na ilmenita mineral, que
também contém ferro e oxigênio.
· Alumínio: as
áreas mais brancas da superfície da Lua são repletas de alumínio, material leve
e resistente usado em muitas aplicações aqui na Terra — o metal está presente
em cerca de 10 a 18% do regolito nessas regiões mais claras da Lua.
· Água:
crateras lunares são repletas de gelo, e estima-se que será possível extrair
cerca de 2,9 bilhões de toneladas de água para beber e cultivar alimentos.
Ainda, ao dividir o hidrogênio do oxigênio da água, também é possível gerar
combustível para naves e foguetes.
Fonte: The Conversation, Popular Science
Fonte: Canaltech / Por Patrícia
Gnipper | 06 de Junho de 2019
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Hélio R.M. Cabral
(Economista, Escritor e Divulgador de conteúdos da
Astronomia, Astrofísica, Astrobiologia e Climatologia).
Membro da Society for
Science and the Public (SSP) e assinante de conteúdos científicos da NASA
(National Aeronautics and Space Administration) e ESA (European Space Agency).
Participa
do projeto S`Cool Ground Observation (Observações de Nuvens) que é integrado ao
Projeto CERES (Clouds and Earth´s Radiant Energy System) administrado pela
NASA. A partir de 2019, tornou-se membro da Sociedade Astronômica
Brasileira (SAB), como astrônomo amador.
Participa também do projeto The Globe Program / NASA
Globe Cloud, um Programa de Ciência e Educação Worldwide, que também tem o
objetivo de monitorar o Clima em toda a Terra. Este projeto é patrocinado pela
NASA e National Science Fundation (NSF), e apoiado pela National Oceanic and Atmospheric
Administration (NOAA) e U.S Department of State.
e-mail: heliocabral@coseno.com.br
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